quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"Homocultura" - repostado.

Repostando, pois já faz anos que não posto nada!

Poxa, a vida muda mesmo. Conceitos são reformados! Será que voltarei a escrever neste Blog? Não sei bem, pois há tantas outras ferramentas. Bom, enfim, no momento é isto! Estou fazendo um "catado" dos meus textos. Quem sabe sai um livro por ae! Nunca se sabe neh!

Homocultura ::


Como todo gueto, o meio GLBT, para sobreviver, criou seus próprios ritos e signos. Hoje, possuímos características que definem e identificam a individualidade homossexual, desde vocabulário próprio até roupas, casas noturnas, restaurantes e roteiros turístico específicos. Adotamos atitudes únicas, cheias de conteúdo artístico elingüístico, assim como as culturas Africanas e Indígenas, durante sua repressão.

A flâmula de nosso movimento nada mais é do que o arco íris, que simboliza a alegria e diversidade, e também a beleza após a turbulência de uma tempestade, demonstrando nossa força e vigor.

É impossível se negar à arte dos Shows de Drags, com todo seuglamour e ritmo. Criamos aos poucos sem perceber, uma cultura paralela baseada em vivências e expressões únicas.

Até mesmo no meio de consumo, muitas profissões, tornaram-se ícones do mundo gay, como cabeleireiros, maquiadores, dançarinos, estilistas entre outras profissões nas quais conquistamos um lugar de destaque de respeito. Diz-se até que muitas destas, estão no sangue de um gay, justamente por sua criatividade e sensibilidade.

Hoje, nos deparamos com os metrossexuais, que por assumirem sua vaidade e preocuparem-se com sua aparência, são confundidos com homossexuais, mesmo estes não o sendo. Homens livres de preconceitos e com bom gosto, comumente são identificados comogays.

Isto porque instituímos uma “marca registrada” em atitudes e estilos de impacto, formatando o que é ou deixa de ser algo predominantemente gay.

Até mesmo o ativismo homossexual, tornou-se algo marcante através do mundo, batendo de frente com demais culturas. Assim como na natureza, também temos nossos inimigos naturais, como os Extremistas e Conservadores, que buscam de toda maneira, sustentar a supremacia de suas formas de vida, criando assim um certo conflito social que se estende por longos anos.

A Parada Gay é um bom exemplo da miscigenação desta cultura, pois expõe aos demais tudo aquilo que construímos e que mesmo assim permanecemos comuns como qualquer pessoa de bem. Hoje, a Parada de São Paulo, é a maior do mundo, atraindo turistas e simpatizantes de todos os lugares.

Mas é necessário tomarmos cuidado com tão preciosa conquista, já que o nosso maior orgulho está virando apenas mais um Carnaval.

A maioria dos gays que hoje freqüentam este evento esquece o motivo pelo qual foi criado. Ignoram o fato de tal dia existir unicamente para lutar por nossos direitos e expressar toda a indignação com o preconceito instalado ao nosso livre arbítrio.

Encontram-se milhões durante a Parada Gay, mas poucos conhecem ou procuram conhecer a Pré-Parada, onde ocorrem fóruns e palestras sobre o tema, relevando os avanços judiciais e profissionais de real interesse. Dos milhões de participantes, poucos se preocupam em colher informações sobre o evento, que vão além da data e horário e das pós-festas, que ocorrem nas diversas casas noturnas da região.

Lamentavelmente, muitos panfletos e informativos são impressos, mas poucos recebem a devida atenção que merecem e são tratados com coisas chatas e sem sentido.

Mal sabem os novos gays, o quanto foi difícil à constituição e organização de nossa cultura. Ainda hoje, corremos o risco de perder amigos nas mãos do preconceito, assim como eu, que senti na pele, a perda de um amigo e pretendente, violentamente assassinado por pura ignorância e desrespeito a diferença.

Sendo assim, se persistirmos em tornar a Parada Gay e toda a nossa individualidade em nada além de uma festa, estaremos nos deixando marginalizados frente à sociedade em geral, pois a fixação de tal cultura não serve para mostrar quanto somos diferentes, mas sim para provar quanto somos iguais, pois também possuímos uma história e sentimentos.

Tais manifestações são uma necessidade, porém, o objetivo de seus criadores é de que não sejam mais necessários tais eventos, mas sim que seja criado um único dia comemorando a união das diferenças em respeito e harmonia mutua.

É justamente esta a preocupação de grupos organizados, que não desejam que esta cultura se perca ou banalize, sendo esquecida em seu sentido e conteúdo, vista somente em suas cores e músicas.


Por ThiagoLaqua